Após mais de 5 anos de actividade cultural regular e com um horário de funcionamento que apenas nos últimos meses deixou de ser escrupulosamente cumprido, o Bazar das Monjas de Coz informa os seus estimados amigos que:
1. A partir do próximo Sábado, dia 15 de Agosto de 2009, o Bazar das Monjas de Coz suspenderá as suas actividades regulares, culturais e outras; as razões desta suspensão prendem-se com a indisponibilidade profissional dos seus membros fundadores (Raquel Romão e Valdemar Rodrigues), actualmente envolvidos em projectos na área da grande Lisboa;
2. Qualquer assunto relacionado com a actividade do Bazar das Monjas de Coz poderá ser tratado através do TM 91 645 08 13.
Não obstante a escassez de apoios, bem como a falta de reconhecimento público do interesse do seu trabalho por parte da actual equipa da Junta de Freguesia de Cós, liderada pelo Sr. Álvaro Santo e apoiada pelo PSD local de Alcobaça, o Bazar das Monjas de Coz não quer deixar contudo de agradecer a todos quantos, ao longo destes cinco anos de vida, o apoiaram e o ajudaram a organizar as suas iniciativas. Para todos o nosso muito obrigados, e até sempre!
Raquel Romão
Valdemar Rodrigues
XIª edição do CONVERSAS PÚBLICAS
XIª edição das CONVERSAS PÚBLICAS:
10 AGOSTO 2009
Na sede da Junta de Freguesia de Cós
Temática: Desenvolvimento da Freguesia de Cós.
Desporto e Lazer!
Convidada especial: Profª Paula Cruz.
Começaremos o "Conversas" indicando sumariamente o que temos defendido nesta temática.
Depois conversaremos abertamente com o nosso convidado especial.
Anunciaremos mais elementos para a equipa autárquica da CDU 2009/2013.

Nenhuma sociedade que se pretenda civilizada permite que as suas crianças e jovens passem inutilmente (por exemplo em casa, defronte da televisão ou do computador) os mais de dois meses de férias escolares de Verão que o nosso sistema educativo proporciona. É por isso dever de todos, das famílias, das organizações da chamada "sociedade civil" e das entidades com resposnabilidades políticas (nomeadamente câmaras municipais e juntas de freguesias) providenciar às crianças e aos jovens actividades de ocupação produtiva dos tempos livres, permitindo-lhes alargar os seus horizontes de conhecimentos e valorizarem-se pessoal e humanamente. É, infelizmente, bastante pouco o que existe nesta matéria no nosso concelho de Alcobaça, e nomeadamente para os adolescentes e jovens com idades superiores a 12 anos. Porque achamos inportante divulgar estas actividades, deixamos aqui algumas sugestões, e pedimo-vos que nos contactem caso saibam de alguma actividade ou programa existente.
Para além do
Agrupamento de Escuteiros 522 Coz, que de há muito organiza várias actividades de Verão, incluindo o seu célebre acampamento, louvável é também o programa da
ESDICA de ocupação de tempos livres que abaixo indicamos (carregar sobre a imagem para ampliar).
Também soubémos que a
Academia de Múisica de Alcobaça vai organizar este Verão pequenos cursos de intrumentos musical, ligando assim de forma excelente a ocupação de tempos livres à cultura musical dos nossos jovens.



Do vizinho
concelho da Nazaré chegaram-nos novas sobre actividades educativas para crianças e jovens, organizadas pelo no excelente
Museu Dr. Joaquim Manso. Aqui ficam indicadas para quem estiver interessado. Obrigado, ao Museu, pela comunicação. E parabéns pelas iniciativas!
1. Como se veste a NazaréOficina pedagógica - atelier
Actividade infantil dedicada ao traje tradicional da Nazaré. Após visita temática ao Museu, recorrendo a miniaturas de peças de vestuário e a actividades de expressão plástica, os participantes podem ficar a saber mais sobre a estrutura deste tipo de traje e o seu enquadramento socio-económico, associando a descoberta de conhecimentos ao gosto lúdico pela moda e o vestuário.
Público-alvo:
6 aos 10 anosData: a partir de 23 Junho
Horário (duração): Terça-feira e Quinta-feira, 90 minutos
N.º de participantes: 25 (máximo)
Marcação prévia
Inscrição gratuita
2. Aprender com o barroOficina pedagógica - Atelier
Através da utilização do barro, as crianças constroem a sua interpretação de elementos da cultura local constantes do percurso do Museu Dr. Joaquim Manso. Paralelamente, será explorada uma pequena exposição didáctica sobre o emprego do barro nas artes de pesca e sobre uma antiga olaria existente na Nazaré.
Colaboração do Museu de Cerâmica, das Caldas da Rainha.
Público-alvo:
6 aos 10 anosData: Julho de 2009
Horário (duração): Quarta-feira e Sexta-feira, 90 minutos
N.º de participantes: 25 (máximo)
Marcação prévia
Inscrição gratuita
3. "(Re) Descobrir a Nazaré"Visitas guiadas
Através de visitas guiadas e da partilha de saberes e memórias, o público pode (re) encontrar-se com a identidade cultural da Nazaré.
Público-alvo:
público séniorData: Julho de 2009
Horário (duração): Terça a Sexta-feira - 40 minutos
N.º de participantes: 25 (máximo)
Marcação prévia
Inscrição gratuita
CONTACTO:Museu Dr. Joaquim MansoRua D. Fuas Roupinho - Sítio
2450-065 Nazaré
telef. 262562801
fax. 262561246
e-mail:
mdjm@imc-ip.pt mdjm.directora@imc-ip.pt>
http://mdjm-nazare.blogspot.comO Armazém das Artes, em Alcobaça, promove também este Verão uma interessante iniciativa para ceianças dos 6 aos 12 anos. Trata-se de uma Oficina de Pintura, espaço que permitirá estimular nas crianças o gosto pelas artes. É mais uma iniciativa a saudar no nosso concelho!
(carregue aqui para ir oara o Armazém das Artes)
Soubémos hoje que a Junta de Freguesia de Cós tem um novo site. Fica a
qui a ligação para o mesmo. E fica ainda o texto da mensagem que deixámos na respectiva "caixa" de sugestões. Achamos importante que se saiba como se trabalha em Portugal com a eufemisticamente chamada "sociedade civil". Os juízos fá-los-á cada um a seu modo.
Exmos Srs.,
Gostaríamos de começar por referir o facto, em nosso entender lamentável, de não haver no vosso site qualquer referência aos 5 anos de actividade cultural do Bazar das Monjas de Coz. Actividade essa feita sem qualquer apoio financeiro estatal e que tem vindo a ser abundantemente referida na imprensa local e regional. O mesmo já vinha acontecendo, aliás, com o vosso boletim informativo. Como somos filhos de boa gente, sentimos com mágoa a injusta omissão. Não podíamos pois perder a oportunidade de deixar aqui registado o nosso desagrado. Não é com esta arrogância que se constrói uma sociedade melhor e mais justa. Como sabem, ou deviam saber, o Bazar das Monjas teria tido todo o gosto em contribuir para este trabalho com algum do muito material que possui sobre a freguesia. Bastava para tal que nos tivessem contactado. Não o fizeram e não compreendemos porquê. Estamos, como sempre estivémos, disponíveis para colaborar em tudo o que seja benéfico para a nossa freguesia.
Para que não fique apenas esta nota de desagrado, deixamos ainda como sugestões de melhoria do (vosso) site as seguintes:
1 - Disponibilização de uma versão do site em língua inglesa;
2 - Referência a projectos culturais concretos desenvolvidos pelos vários agentes, incluindo colectividades e empresas;
3 - Referência a actividades de ocupação dos tempos livres de crianças e jovens promovidas pela Junta de Freguesia ou por outras entidades da mesma;
4 - Referências à ZICA, aos seus aspectos ambientais, e aos contributos das suas empresas para a comunidade local;
5 - Inclusão de ligações para outros sites de empresas e organizações da freguesia;
6 - Disponibilização de formulários online para pedido de licenças, autorizações e declarações que são da responsabilidade da Junta de Freguesia;
7 - Dados sobre o estado do ambiente da freguesia;
8 - Disponibilização de um mapa da freguesia com indicação dos principais pontos e locais de interesse;
9 - Disponibilização de relatórios, documentação e materiais de estudo sobre a freguesia;
10 - Um maior desenvolvimento e cuidado na preparação dos textos históricos que são apresentados.
Sem outro assunto de momento,
Cós, 8 de Junho de 2009
Raquel Romão
Valdemar Rodrigues
P.S. Não sendo políticos os objectivos que prosseguimos, não podemos deixar de notar, em relação aos Orçamentos e Contas da Junta de Freguesia de Cós, disponibilizados
aqui, alguns aspectos que são politicamente relevantes. Restringimos esta análise à "leitura" da execução orçamental prevista no
Plano Plurianual de Investimentos, em áreas e/ou domínios aos quais somos particularmente sensíveis,
para o ano de 2008. Veja-se o resultado:
Cultura (zona envolvente do Mosteiro): Montante Previsto - 7.500 Euro; Montante Executado: 0 Euros;
Taxa de Execução: 0%Desporto, Recreio e Lazer (zona do Vale do Amieiro): Montante Previsto: 2.500 Euro; Montante Executado: 0 Euros;
Taxa de Execução: 0%De notar que estes investimentos, sendo pequenos face ao que a freguesia necessitaria, estão na categoria de Administração Directa, pelo que a sua não execução é da exclusiva responsabilidade da Junta de Freguesia. A atenção à cultura e ao desporto (para não falar do ambiente...) medem-se desta forma. Não é por serem pequenos que os gestos deixam de mostrar a "natureza" de quem os executa. O relatório também pode ser descarregado
aqui.


Até à Eternidade, Teresa
O que somos nós nesta vida?
Muito fracos disso tenho a certeza,
Jamais venceremos a morte
Mesmo lutando com toda a esperteza.
A lei para nós humanos,
Seria morrer velhinhos
Mas, o Senhor Supremo diz:
Que não mandamos sozinhos.
Ó amor da minha carne,
A tua vida foi um sofrimento…
Aceitaste esse caminho e luta,
Com muito pouco lamento.
No ano passado foi
O teu pai que nos deixou,
Agora partiste tu,
Na terra, mais pobre estou.
Sei que sou egoísta,
Mas, sei que Deus faz o melhor
Pois se continuassem a sofrer
Seria, para todos, muito pior.
Mas, ao mesmo tempo,
Venho aqui perguntar,
Que quer Deus de mim,
Ao fazer-me, por isto, passar?
Muito havia para dizer,
Já não sei o que pensar,
Peço ajuda ao Senhor
Para O continuar a amar.
Só me resta agradecer aos amigos,
Não fazendo nenhuma excepção.
Obrigada pela vossa solidariedade,
Para todos, um grande chi-coração!
Rosa Carreira Jorge
Damo-vos aqui a conhecer as Conclusões das
Jornadas sobre Património Cultural e Desenvolvimento Sustentável -
Caminho Real. Sobre o assunto, Valdemar Rodrigues escreveu um artigo intitulado "
Cultura e sustentabilidade: o caso da Nazaré", que pode ser
descarregado aqui. De realçar o magnífico trabalho dos promotores do evento (Engº Rui Remígio, Dr., Pedro Penteado e Dr. Paulo Fernandes) e da fantástica equipa local da Organização. Os objectivos alcançados. sob a forma de um verdadeiro manifesto de comunhão de vontades visando a preservação e a valorização do riquíssimo património cultural de que todos somos herdeiros, irão certamente dar os seus frutos Parabéns pois a todos, e até já!
CONCLUSÕES DAS JORNADAS SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO
SOBRE A RELEVÂNCIA HISTÓRICO-SOCIAL
–Ultrapassa a dimensão local;
SOBRE O ESTUDO
SOBRE A PROTECÇÃO
SOBRE EVENTUAIS PROJECTOS DE VALORIZAÇÃO
Texto de conclusões (1.ª versão), por:
Paulo Fernandes
Pedro Penteado
(com a colaboração de José R. Sirgado)

(carregue sobre a imagem para aceder ao Blog Património Cultural da Nazaré)
O Bazar das Monjas de Coz vem por este meio convidar-vos a participar nas
JORNADAS SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO - Caminho Real da Pederneira – Itinerário histórico-religioso, que terão lugar aqui bem perto de nós, na bela Cidade da Nazaré, no próximo
dia 9 de Maio de 2009, no Círculo Cultural Mar Alto (junto ao Hotel Nazaré), a partir das 10:00.
(carregue sobre a imagem para descarregar o Programa Definitivo do evento)Foi criado um
Blog, Património Cultural da Nazaré, através do qual poderão ser acompanhados os trabalhos destas Jornadas, o qual conta já com diverso material de interesse, incluindo os
resumos de algumas das Comunicações que irão ser apresentadas.
O Bazar das Monjas de Coz saúda vivamente este encontro que, em sua opinião, constitui um marco importante para o lançamento de um debate nacional cada vez mais instante, sobre Património Cultural e Desenvolvimento Sustentável. Contamos pois com a vossa presença e com o vosso apoio, designadamente ao nível da Divulgação.
Com os melhores cumprimentos,
Raquel Romão
gestora, Bazar das Monjas de Coz


José Alberto Vasco reedita em livro conto histórico "
Uma Noite de Insónia", após a sua publicação no
ciberjornal Tinta Fresca e no seu Blogue
Nas Faldas da Serra.
O lançamento do conto histórico “
Uma Noite de Insónia” vai realizar-se
em Alcobaça, no Armazém das Artes, no dia 25 de Abril, às 16h30. O conto foi inicialmente publicado em Abril e Maio de 2002 no jornal digital Tinta Fresca, tendo sido reeditado, já na sua edição ne
varietur, em Abril de 2006, no blogue “Nas Faldas da Serra”. Publicado agora em formato analógico, em edição ne varietur, com chancela da Papiro Editora, do Porto, o livro, inspirado na revolução do 25 de Abril, será apresentado pela animadora cultural Raquel Romão e pelo professor universitário Valdemar Rodrigues.
O Bazar das Monjas associa-se pois a mais esta notável iniciativa cultural, no dia em que se comemora mais um aniversário (o 35º) da Revolução dos Cravos, data que viria, a par do 25 de Novembro de 1975, a marcar idelevelmente o futuro dos portugueses e dos seus irmãos africanos e orientais das então províncias ultramarinas integrantes do império colonial português. Convidamo-vos pois a todos a estarem presentes nesta sessão.

Fonte da imagem: aqui.Evocar a figura de Joaquim Elias Jorge (10 de Abril de 1949 – 13 de Fevereiro de 2008) é um acto simultaneamente fácil e difícil: Se é com prazer – e com a consequente facilidade – que se fala de um Amigo, é também com enorme incomodidade que verificamos que as palavras ficam sempre muito àquem daquilo que foi a sua postura perante a vida, em suma, daquilo que foi o seu exemplo.
No início de 1971, encontrava-me na bonita cidade de Nampula, em Moçambique, pode dizer-se que, «como peixe na água». Ao cabo de dois anos de comissão militar, o serviço era agora menos apertado, pois estava a passá-lo gradualmente para o meu substituto, que tinha acabado de chegar e já se encontrava em funções. Por isso, já podia terminar tranquilamente o meu curso de pilotagem que iniciara uns meses antes no Aeroclube de Nampula; mesmo assim, ainda havia tempo para passear por toda aquela inesquecível zona, deslumbrante e estranha na sua riqueza paisagística, acolhedora na afabilidade das suas gentes.
Não tinha pressa em regressar. Nampula tinha-se tornado numa cidade muito movimentada. Sede do comando militar e do seu quartel-general, aqui afluíam milhares de militares de todas as proveniências e para todos os destinos. Nesse numeroso conjunto, um «velho» amigo e condiscípulo recém-chegado a Moçambique deu-me o privilégio de conhecer o Joaquim Elias Jorge com quem viajara, no paquete «Infante D. Henrique» de Lisboa para Lourenço Marques, hoje Maputo, e em avião «Boeing 737» das Linhas Aéreas Locais (DETA), desta cidade para Nampula.
Fonte da imagem: aqui.Uma das primeiras características que observei no Joaquim Elias Jorge foi a sua enorme curiosidade por tudo o que o cercava. A sua paixão pelos aviões decorreu do «baptismo de voo», a tal viagem em «Boeing 737», até Nampula, com escala pela Beira, ao lado do citado «velho» amigo, o Vaz Palma, já nessa época um piloto experimentado e um magnífico comunicador. Mas a vivacidade do espírito de Elias Jorge não se ficou por aí.
Chegado a Moçambique, cedo se apercebeu de que tudo aquilo que a sua perspicaz retina captava tinha de ser registado. Dedica-se então, com todo o entusiasmo, à fotografia, onde denota um apurado sentido estético. O rigor formal preocupa-o, mas sempre com a mente naquilo que mostraria ao longo de toda a sua vida: poder dar aos outros algo de si próprio. Que significado podia ter a fotografia para uma mente tão generosa se não pudesse partilhar aquilo que tanto o sensibilizava? Com efeito, ao mesmo tempo que reunia um valioso espólio fotográfico, sonhava com a possibilidade de poder expô-lo, após o seu regresso de Moçambique. Mas como o tempo passado no meio de amigos corre, depressa chegou o mês de Maio que me trouxe de volta, mal pensava eu que, em Dezembro de 1972, iria iniciar outra comissão, novamente na cidade de onde saíra: Nampula.
A satisfação era grande por ir reencontrar alguns dos amigos que deixara um ano e meio antes. O Elias Jorge mantinha a curiosidade que já evidenciara pela terceira dimensão, mas agora tudo era mais consistente, por via das demoradas conversas com o Vaz Palma sobre assuntos aeronáuticos, das muitas horas passadas no Aeroclube de Nampula e das «voadelas» nos seus aviões. Dentro das poucas horas de merecido descanso, a fotografia continuava a apaixoná-lo. Como se as 24 horas do dia fossem elásticas, ainda se deixou seduzir por outra actividade, o tiro desportivo, modalidade que praticou com resultados assinaláveis. Sem desprimor para outras modalidades desportivas, no tiro cada praticante compete consigo próprio, longe dos aplausos dos estádios cheios. É um desporto para pessoas discretas, como ele sabia ser.
Esta minha segunda ida para Moçambique despertou-me o interesse pelo coleccionismo de conchas marinhas, motivado pela proximidade de um litoral muito rico e pelo exemplo de um familiar que no mesmo local, uns anos antes, reunira um importante e diversificado acervo. Este meu interesse contagiou o Elias Jorge. Estou a ver a sua satisfação durante as nossas «expedições» à ilha de Moçambique. Agora não era só o património arquitectónico e o contacto com as pessoas aquilo que estava no seu pensamento: era também o desbravar de um mundo subaquático muito diferente daquele que observara nas nossas águas temperadas. Não esqueço que a Cypraea vitellus que tenho na minha colecção foi apanhada por ele. E não esqueço sobretudo o genuíno contentamento que manifestou ao saber que ainda não tinha aquela espécie.
Fonte da imagem: aqui.
Entretanto, o Elias Jorge completa os seus dois anos de comissão, deixa Moçambique deixando também um sentimento de saudade nos muitos amigos que, com facilidade, reunia à sua volta. Nas infindáveis conversas que mantínhamos estava sempre presente a partilha de experiências, onde o Elias Jorge mostrava a sua disponibilidade para aprender sobre os temas em que não era tão versado, como o entusiasmo para ensinar sobre os assuntos em que os seus conhecimentos eram profundos. Estou a lembrar-me, por exemplo, de o escutarmos com agrado e atenção, sobre as técnicas de enxertia entre muitos outros assuntos ligados à agricultura.
Os momentos de convívio que mantivemos após o meu regresso, embora espaçados pelos condicionamentos que a vida nos impõe, foram sempre momentos vividos com intensidade, quer na sua casa, quer na minha. A boa disposição nunca faltou, mesmo se falássemos de assuntos que nos preocupavam: a serenidade e resignação com que aceitava todas as vicissitudes da vida eram surpreendentes; a preocupação com o bem-estar dos outros, uma constante.
Ao pé do Joaquim Elias Jorge, ninguém se podia sentir infeliz. Nunca é demais sublinhar, por isso, o seu lema de vida: «FAZEI-ME O FAVOR DE SERDES FELIZES».
Fonte da imagem: aqui.
Uma vez, em sua casa, olhou para os meus netos e pensou naquilo que, pude adivinhar, lhe ia na mente: falta, aos miúdos da cidade, uma percepção mais nítida da natureza. Disse-me então: – leva lá estas duas favas, arranja um vaso, põe cada um a semear e a cuidar da sua planta e convida-os a acompanhar o respectivo nascimento e desenvolvimento. Assim foi e a partir daí, todos os anos cumprimos o «ritual» que começa em Novembro e termina em Abril. O Guilherme, dizia-me, dentro do espírito infantil próprio dos seus três anos: – avô, a flor da fava parece uma zebra. Que observação! Realmente, no exuberante mundo da Natureza, a flor da fava, tal como a zebra, são das raras entidades que se mostram na sua singeleza do preto-e-branco. Assim, uma proposta carregada de Pedagogia, deu lugar a uma atenta reflexão. Não nos esqueçamos de que, antes de cumprir o serviço militar, o Elias Jorge fora professor de Trabalhos Oficinais na Escola Industrial e Comercial de Estremoz, cidade alentejana que também o apaixonou. Mostrava-o claramente pela vivacidade com que recordava essa página do volumoso livro que foi a sua vida.
O desaparecimento físico do Joaquim Elias Jorge constituiu uma perda irreparável para os familiares e também para os inúmeros amigos que deixou. Todavia, para mim que acredito, como ele acreditava, numa vida para além da vida, a dor é atenuada pela certeza de que o seu espírito estará em bom lugar!
José Manuel Pedroso da Silva[zedaota@gmail.com]



Já faz um ano
A treze de Fevereiro
O dia que deixaste de ser
O nosso companheiro
Porque os anos de vida
Tinham de ser tão poucos?
Só pela nossa fé em Deus
Os porquês não nos deixam loucos.
Da tua partida repentina
Só Deus sabe a dor.
Mas está sempre connosco
A tua dedicação e amor.
Sabes bem que a tua falta
Deixou a nossa alma penosa.
Mas roga junto de Deus
Pelos teus amores João, Teresa e Rosa.
Rezaremos pelo teu descanso eterno
Celebrando Missa no Mosteiro de Cós
Às dezanove horas de dia treze de Fevereiro
Que a Deus e aos amigos, chegue a nossa voz.
Rosa, Teresa e João Elias